Um pagamento feito a um gestor de fundos para gerar retornos positivos. Essa é a taxa de performance, geralmente calculada como uma porcentagem dos lucros em fundos de investimentos nos quais você aplica recursos. É, em grande parte, uma característica da indústria de investimentos.

A razão básica para as taxas de desempenho é que elas alinham os interesses dos gestores de fundos e seus investidores, além de ser um incentivo para que os gestores de fundos gerem retornos positivos.

Mas…

Os críticos da taxa de performance, incluindo Warren Buffett, opinam que a estrutura distorcida da taxa de performance (onde os gestores tem participação nos lucros dos fundos, mas não em suas perdas) apenas faz com que gestores de fundos assumam riscos desordenados para gerar retornos elevados.

Tendo essas informações em mente e antes de calcular a taxa de performance, devemos pensar o papel dessas taxas de performance nas estratégias de diversificação de investimentos e os riscos que elas significam para você.

Compreendendo as taxas de performance dos investimentos

A maioria das rotas de poupança e investimento têm algumas taxas e encargos a eles associados. Enquanto algumas taxas são esclarecidas logo no primeiro momento, é importante se manter alerta para o fato de que outros custos podem ser ocultados.

Taxas de performance e seus investimentos

Sua esperança é que um fundo que cobra taxas mais elevadas está fazendo isso porque ele está confiante de que ele terá um desempenho acima da média, mas não há nenhuma evidência real de que qualquer fundo ou gestor do fundo pode entregar consistentemente um desempenho superior. Você deve se certificar que você sabe o quanto você está pagando e satisfazer-se que este é um bom valor para o serviço e desempenho de investimento que você espera receber

Quais são as taxas de performance no Brasil?

Taxas de performance no Brasil giram entre 0,5% a 5%. Esta taxa é cobrada sobre o valor dos ganhos obtidos que superam o objetivo estabelecido pelo investimento no qual você está aplicando seu dinheiro. Diferentemente das taxas de administração, que são cobradas independentemente dos resultados obtidos (na maioria dos casos, tanto em resultados positivos quanto negativos), as taxas de performance só são cobradas quando há ganhos acima do objetivo estabelecido.

Investindo com conhecimento

Comparar investimentos significa fazer cálculos para ver quanto do seu dinheiro será “queimado” pelo gestor do seu investimento e a taxa de performance é um destes combustíveis. (Foto: www.businessinsider.com)

Como calcular as taxas de performance?

É importante passar uma informação aos nossos leitores: pode valer a pena pagar taxas mais elevadas se você conseguir um desempenho superior a um benchmark, que é uma referência base para o desempenho do fundo. Um fundo com retorno de 15% sobre o investimento e que cobra 15% em taxas pode vir a ser melhor investimento do que um fundo com retorno de 5% sobre o investimento e que cobra 1% de taxa de performance.

Só que o valor dos encargos correntes tornou-se a forma padrão para comparar o custo de diferentes fundos. Eles podem ser de até 2% (ou mais) em fundos de gestão ativa, em comparação com menos de 0,5% para um fundo de gestão passiva, ou seja, que não precisam de muita movimentação.

Então, em um investimento no valor de R$1.000, você pode pagar mais de R$20,00 por ano com o fundo de gestão ativa, ou menos de R$5 no fundo de gestão passiva.

Você pode usar os encargos correntes comparar os investimentos, mas deve fazê-lo corretamente. Como? Bem simples.

Benchmarks dos investimentos

Boa parte dos fundos usa o Certificado de Depósito Interbancário (CDI) como benchmark, buscando atingir um resultado igual ou superior a essa taxa para então cobrar a taxa de performance. A mesma fórmula é usada por outros fundos mas com outros valores base.

Por exemplo, um fundo pode assumir como benchmark o valor de 20% do desempenho de um indicador como o Ibovespa, Dow Jones, S&P ou Nasdaq. Traduzindo: se o investimento tiver um retorno sobre seu investimento MAIOR do que 20% do desempenho do benchmark, o fundo pode cobrar a taxa de performance.

Calculando as taxas de performance

Vamos usar o fundo X como exemplo. A taxa de performance do fundo X e seu benchmark são:

  • Benchmark – 100% do CDI;
  • Taxa de Performance: 20% sobre o que exceder o benchmark, ou seja, 20% sobre os valores acima de 100% do CDI.

No ano que você aplicou seu dinheiro, o CDI rendeu 22%. O fundo X, onde você aplicou seu dinheiro, rendeu 25%, excedendo em 3% o benchmark. Quanto, então, você vai pagar para o fundo? 0,6%.

0,6% é calculado multiplicando a taxa de performance pela porcentagem que excedeu o benchmark, ou seja, 20% multiplicando 3%. Transformando em números decimais, a conta fica assim:

20% = 20/100 = 0,2

3% = 3/100 = 0,03

0,2 vezes 0,03 = 0,006 = 0,6%

Então, sobre o seu investimento, será cobrado 0,6% como taxa de performance semestralmente ou anualmente.

Observação

Fundos das classes CVM de curto prazo, referenciado e renda fixa não podem cobrar taxa de performance, salvo quando destinados a investidores qualificados ou, somente no caso dos fundos renda fixa, se tiverem o compromisso de obter o tratamento fiscal destinado a fundos de longo prazo na regulamentação fiscal vigente, ou seja: fundos de renda fixa de longo prazo, fundos cambiais, os fundos da dívida externa e fundos multimercado.

Como comparar as taxas de performance?

De nada adianta ter estas informações e cálculos se você não poder comparar as taxas de performance antes de aplicar seu dinheiro. Siga estas instruções iniciais para garantir que não vai perder seu dinheiro:

  • Benchmarks de acordo com os objetivos do investimento: um investimento de renda fixa deve usar um benchmark de renda fixa (poupança, CDI etc), enquanto um investimento em ações deve usar indicadores de ações como referência (Dow Jones, Nasdaq etc);
  • 100% mínimo de desempenho do benchmark: igualar ou superar o benchmark deve ser o objetivo do investimento;
  • Deve cobrar o benchmark apenas após compensar as perdas, ou seja, se no ano anterior o investimento rendeu menos que o benchmark, só deve cobrar a taxa de performance após devolver as perdas.

Confirmado que estas regras são respeitadas pelo fundo, você deve fazer o cálculo que recomendamos acima para a porcentagem sobre o desempenho que a taxa de performance vai cobrar e basear o cálculo do ganho real nos últimos 12 meses do investimento.

Exemplo

Você quer aplicar R$10000 no fundo X. Além da taxa de performance, ele também tem uma taxa de administração de 1,5% anual que independe do resultado do fundo. Temos que lembrar que os 12 meses anteriores à aplicação servem apenas como um termômetro do investimento, uma vez que nunca é garantido que um investimento que apresentou ganhos no passado continue apresentando tais ganhos no futuro. Nesses 12 meses anteriores é que o fundo rendeu 25%, ou seja, R$2500 de retorno sobre o investimento.

A taxa de administração será cobrada é descontada anualmente, ou seja, de R$12.500 que eu terei ao final de 12 meses, subtraio o valor correspondente a 1,5% (R$187,50), resultando em um total líquido de R$12.312,50. A rentabilidade do fundo então será de 18,78%, descontada a taxa de administração. O fundo TEM que descontar a taxa ANTES de calcular a taxa de performance.

Se o CDI rendeu 22% no mesmo ano, como no exemplo acima, então, o fundo NÃO poderá cobrar taxa de performance, além de mostrar que é um investimento RUIM, porque não está superando seu benchmark.

Agora, se o CDI rendesse, digamos, 15,78% no mesmo ano, o fundo superou em 3% o benchmark de 100% do CDI. Nesse caso, o gestor de investimento receberá como taxa de performance o valor correspondente a 0,6% de R$12.312,50, o que corresponde a R$73,87. Após 12 meses, você terá o valor líquido de R$12.238,63, que corresponde a uma rentabilidade real de 18,29% sobre seu capital investido.

Este é o cálculo que você deve fazer para comparar o retorno sobre o investimento levando em consideração a taxa de performance. Lógico, você terá que levar em consideração ainda o cenário atual, a expectativa de retorno mínimo do investimento (que é o benchmark) e os investimentos semelhantes ou de menor risco que você pode fazer para obter retornos semelhantes. Um bom exercício é usar as lâminas comerciais de diferentes fundos de investimento para comparar e tornar mais fácil seu processo de decisão sobre investimentos.

Considerações Finais

Para tornar seu cálculo mais completo, você ainda deve descontar a inflação sobre a rentabilidade do investimento, além do imposto de renda cobrado sobre a rentabilidade. Ou seja:

Um rendimento de R$1.000 sobre uma aplicação de R$10.000 corresponde a 10% de rendimento bruto nominal, sem o desconto dos impostos e inflação. Para o rendimento líquido real, você deve descontar os impostos a serem pagos (Imposto de Renda Retido na Fonte). Se o Imposto de Renda for de 20% (para aplicações acima de 180 dias), o rendimento líquido nominal será de 8%, ou seja, a aplicação terá um total de R$10.800. Para então, você ter seu rendimento líquido real, o investidor deve descontar a inflação do período, medida pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), subtraindo este valor somado do período do rendimento líquido nominal de 8%. Este valor final é o que vai para seu bolso e é esta porcentagem que deve ser usada para comparar investimentos.

Sabemos que são muitos números e cálculos para serem feitos. Se você tiver qualquer dúvida, deixe-a nos comentários e faremos o possível para responder!

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