Apesar de terem algum declínio ao longo dos últimos 10 anos e um recente aumento, as taxas de juros no Brasil ainda permaneceram excepcionalmente elevadas em comparação com outros países emergentes. Quais serão os motivos que levam a esse custo tão alto para o dinheiro? Três principais fatores (e outros dois complementares) explicam o motivo destes juros tão elevados no Brasil:

  • A história recente de hiperinflação;
  • A taxa de poupança baixa;
  • A elevada proporção de empréstimos subsidiados e dirigidos na economia.

História da hiperinflação

Taxa de inflação no Brasil teve uma média bem acima de 100% ao ano durante a década de 1980 e ultrapassou 1,000% ao ano durante a primeira metade da década de 1990. Apenas na segunda metade da década de 1990, depois de uma reforma monetária que introduziu o real brasileiro, o Brasil foi finalmente capaz de estabilizar a inflação em um dígito. A memória relativamente fresca destas taxas extraordinariamente elevadas de inflação ainda tem um impacto profundo sobre o comportamento econômico no Brasil.

Em particular, há uma tendência no Brasil a superestimar o risco de inflação a médio prazo. Como resultado, o banco central tem de estar particularmente vigilante, tanto em termos de nível de taxas, bem como o calendário das subidas das taxas, afim de manter as expectativas de inflação contidas. Superestimando os riscos da inflação também fomentam a tendência de emprestar mesmo com elevadas taxas nominais e a relutância em investir com taxas nominais fixas, já que choques de inflação ascendentes beneficiam os mutuários e prejudicam os credores.

Taxas de juros no Brasil

Os juros no Brasil estão em uma tendência de alta que só será controlada com menores gastos do Governo e o Incentivo à poupança. (Foto: blog.credit.com)

Taxa de poupança baixa

A Taxa de poupança nacional do Brasil é muito baixa em comparação com economias mais avançadas e emergentes. Em 2010 era apenas de 16%. Em comparação com outros países emergentes, apenas a Turquia tinha uma taxa de poupança mais baixa. Nossos vizinhos latino-americanos têm taxas de poupança igual ou superior a 20%, e a maioria das economias asiáticas têm taxas em torno de 30%.

A baixa taxa de poupança em um país com necessidades de investimento substanciais provoca uma pressão ascendente sobre as taxas de juros, já que há uma escassez de poupança para financiar o investimento com taxas de juros “normais”. Outra maneira de olhar para isso é através da demanda interna.

O outro lado de uma baixa taxa de poupança é uma taxa de consumo elevada, o que significa que, quando combinada com demanda significativa por investimentos domésticos, que a demanda doméstica é muito alta e precisa ser controlada por meio de taxas de juro mais elevadas, evitando o superaquecimento da economia e a crise.

Elevada proporção de empréstimos subsidiados e dirigidos na economia

O terceiro fator que está contribuindo para a pressão sobre as taxas de juros é a grande parcela de crédito direcionado e subsidiado no Brasil. Isto ocorre através de instituições financeiras apoiadas pelo governo, especialmente o banco de desenvolvimento estatal BNDES.

Empréstimos do BNDES representam cerca de 20% do total de crédito na economia, enquanto os empréstimos dirigidos (incluindo o crédito rural e crédito habitacional) é de cerca de 35%. Grande parte dos empréstimos dirigidos estão ligados à “taxa de juros a longo prazo”, que geralmente não muda quando o Banco Central move a SELIC (taxa básica de juros).

A taxa de juros foi aumentada pela última vez em 2003 e desde então foi cortada pela metade (de 12% para 6%). A falta de resposta às taxas de mercado enfraquece a transmissão da política monetária. Uma vez que uma parte substancial do crédito não reage às taxas de juros do Banco Central ou às taxas de juro do mercado, o Banco Central tem que compensar, mantendo as taxas mais elevadas para o crédito não subsidiado, afim de conseguir o mesmo efeito de aperto ao crédito. O resultado final é um nível mais elevado das taxas de juro de mercado.

Causas complementares

Como agravante deste cenário acima descrito, duas causas podem também contribuir para as taxas de empréstimo tão caras no Brasil: o sistema judicial ineficiente (leis precárias para reforçar a proteção dos credores) e os enorme (e ineficientes) gastos do governo.

O primeiro gera maiores riscos para o credor, pois não há garantias que os mutuários pagarão os empréstimos ou que poderão ser cobrados judicialmente para o pagamento do que é devido. Maiores riscos e menos garantias se traduzem como juros mais altos para quem busca dinheiro emprestado.

O segundo é deveras controverso, pois muitas vezes envolve ideologias de partidos políticos. Mas na economia, quando um governo gasta demais, cria inflação. Altas taxas de juros seguram a inflação. Assim, para cumprir o teto de inflação que o governo define para 12 meses, o Banco Central brasileiro tem de elevar os juros.

As taxas de juros atraem capital estrangeiro, uma vez que o mercado se torna lucrativo para eles. Estrangeiros podem emprestar dinheiro a empresas brasileiras, pessoas físicas, e os empréstimos serão pagos de volta com altas taxas de juros. Assim, há um influxo de dólares no mercado brasileiro, que faz com que o real seja supervalorizado. A moeda real sobrevalorizada é boa para pessoas que desejam importar coisas, mas é ruim para a economia, uma vez que os produtos brasileiros custam mais no mercado externo. Estes já não competitivos por causa dos altos impostos, burocracia, baixa produtividade do trabalhador e má infra-estrutura no país. Além disso, altas taxas de juros são ruins para o crescimento do país, uma vez um negócio tem dificuldade em crescer quando eles tem que pagar altas taxas de juros para os seus empréstimos.

Considerações Finais

O cenário ideal seria as baixas taxas de juros. Mas, para isso, seria necessário que o governo brasileiro controlasse melhor suas dívidas e despesas e incentivos à poupança. De outro modo qualquer, será difícil que o Brasil passe a ter juros mais baixos e acessíveis para uma maior parcela da população.

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