O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é um dos vários benefícios ao qual o trabalhador brasileiro tem direito. Sua criação teve a a finalidade principal de amparar os trabalhadores em algumas hipóteses de encerramento da relação de emprego, em situações de doenças graves e até em momentos de catástrofes naturais, sendo também destinado a investimentos em habitação, saneamento e infraestrutura. Sua fonte de recursos vem de depósitos de empregadores, que são administrados pela Caixa Econômica Federal.

Traduzindo o FGTS

Quem mora ou conhece alguém que morou nos EUA, sabe que lá há um costume para as pessoas de fazerem o chamado Fundo de Emergência. E assim como Fundo de Emergência norte americano, nosso FGTS tem a mesma função aqui.

Imagine o FGTS como uma poupança criada de forma obrigatória para você economizar dinheiro. Sabemos que muitos brasileiros não guardam recursos para emergências e até grandes investimentos, o que os deixa quase sempre vulneráveis a situações delicadas, como a demissão, acidentes graves, desastres naturais. O FGTS então aparece para ajudar a pessoa nessa situação de dificuldade.

Porém, sabemos que não é bem assim que as pessoas usam o FGTS e precisamos entender mais sobre ele para ensinar o melhor uso possível deste benefício.

Quando eu posso sacar meu FGTS?

A primeira coisa a se considerar são as situações que possibilitam o saque do FGTS. Sem quaisquer uma das situações que “causam” a possibilidade de saque, torna-se impossível o saque do mesmo. Abaixo, seguem todas as possibilidades que possibilitam o saque do FGTS:

  • Investir nos Fundos Mútuos de Privatização (FMP) que aplicavam em ações de Petrobras e Vale (OBS.: apenas nos anos 2000, não é permitido mais);
  • Demissão sem justa causa;
  •  Término do contrato por culpa recíproca ou força maior, segundo determinação do Juiz;
  • Extinção da empresa empregadora, término de uma de suas atividades ou falecimento do empregador individual que implique cessão do contrato de trabalho;
  • Término do contrato por tempo determinado;
  • Aposentadoria;
  • Suspensão do trabalho avulso por período igual ou superior a 90 dias;
  • Falecimento do trabalhador (no caso, o saque é feito pelos dependentes);
  • Trabalhador ou um dos dependentes acometido com Aids, Câncer ou doença em estágio terminal;
  • Quando a conta do FGTS permanecer sem depósito (inativa) por três anos ininterruptos, desde que o afastamento tenha ocorrido até 13 de junho de 1990;
  • Quando a pessoa permanecer fora do regime do FGTS por três anos ininterruptos, desde que o afastamento tenha ocorrido a partir de 14 de julho de 1990 (nesse caso, o saque pode ser feito apenas no mês de aniversário da conta, mas o direito já vale a partir do momento em que o afastamento completa três anos);
  • A partir do momento em que o trabalhador completa 70 anos;
  • Necessidade pessoal, urgente e grave, decorrente de desastre natural causado por chuvas ou inundações que tenham atingido a área de residência do trabalhador, quando a situação de emergência ou estado de calamidade publica forem assim reconhecidos, por meio de Portaria do Governo Federal (até um valor limite pré-estabelecido);
  • Na compra de um imóvel residencial próprio, como entrada, liquidação ou amortização de financiamento habitacional, à vista ou como amortização de consórcio imobiliário, desde que o trabalhador e o imóvel atendam a certas regras.
Usando o FGTS do jeito certo

O uso do FGTS tem de ser feito com inteligência, ou você só estará torrando dinheiro a toa. (Foto: caixa.gov.br)

Quando vale a pena sacar o FGTS?

Salvo motivos de sobrevivência e extrema urgência na ausência de um Fundo de Emergência, nossa recomendação é que você saque o FGTS apenas e somente para investi-lo em um fundo mais rentável ou para o pagamento da casa própria. Mas dependendo da sua idade, diferentes tipos de investimento podem ser opção dependendo do grau de risco, desde que os investimentos sejam diversificados para gerir melhor os riscos.

  • Até 30 anos: investir o FGTS em fundos de ações, startups, empresa própria, fundo de previdência, imóvel;
  • Até os 40 anos: CDB, papéis do Governo (Tesouro Direto), fundo de previdência, imóvel;
  • A partir dos 50 anos: poupança, papéis do Governo (Tesouro Direto), imóvel, previdência privada.

Assim como demais investimentos, o destino para o FGTS deve se tornar cada vez mais conservador com a idade. Mas uma coisa é constante: o investimento em imóveis como o melhor destino ao FGTS.

Agora, sacar FGTS para compras pessoais, salvo quando estas podem resultar em lucros, como comprar um computador para trabalhar pela internet ou um carro para trabalhar com entregas, não vale a pena fazer o saque.

Por que usar FGTS para pagar a casa própria?

Vale lembrar que algumas condições devem ser respeitadas para este uso, que torna possível quitar um imóvel à vista, dar entrada em um financiamento ou amortizar parcelas de um financiamento ou consórcio imobiliário com esse dinheiro. As regras tem pequenas modificações anualmente, vale uma visita a um gerente da CAIXA para informações mais detalhadas ou buscar informações sobre as condições em um de nossos artigos já escrito sobre o assunto.

É o melhor investimento para seu dinheiro, já que imóveis no Brasil não tem uma tendência a se desvalorizar nos próximos anos e os maiores custos de uma família geralmente estão relacionados ao aluguel.

Mas investir o FGTS tem um porém…

Sempre que você tiver a oportunidade de sacar seu FGTS, faça. Na última vez que eu tive a oportunidade, investi na Bolsa de Valores e depois em um fundo CDB. Acabei perdendo um pouco de dinheiro e tive de usar o dinheiro depois para uma emergência. Daqui a dois anos, poderei sacar meu FGTS e o destino dele será um Fundo de Emergência.

Mas por que estou investindo em um Fundo de Emergência? Em primeiro lugar, sou meu próprio patrão. Isso me dá grandes vantagens, mas traz uma grande insegurança financeira. Seria loucura não ter um Fundo de Emergência para o caso de meus negócios darem errado. E como meu Fundo de Emergência ainda tem poucos recursos, a melhor opção que tenho agora é usar o FGTS para investir em um CDB ou poupança, que são investimentos de boa liquidez e rendimentos sólidos de baixo risco, para eventuais emergências.

Portanto, se você for investir seu FGTS, compense criando um Fundo de Emergência com outros recursos. Assim, você se salvará de ter problemas futuros com emergências financeiras.

Esperamos que tenha gostado deste artigo. Se você tem sugestões, críticas ou dúvidas, gostaríamos de ouvi-las nos comentários abaixo.

Um comentário para “Quando vale a pena sacar seu FGTS?”

  1. Claudia Pereira

    Boa tarde,
    Depois de quantos dias que eu der entrada no FGTS Inativo, eu recebo?

    Responder

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