Recentemente, eu tive que me retratar em meu Facebook aos meus amigos. Elogiei há algum tempo Eike Batista e não deveria tê-lo feito. A grande baixa das empresas dele mostrou que investidor (e eu incluído) ainda são muito bobos quando se tratam de grandes promessas. E isso foi a única coisa que Eike Batista entregou: promessas.

Hoje, suas empresas estão praticamente todas falidas e ele tenta recuperá-las. Dificilmente conseguirá. Houve um excesso de confiança generalizado em Eike Batista e o Governo tentou capitalizar a imagem deste especulador como um grande “milagre brasileiro”, a figura que representava o Brasil como bom investimento no exterior. E vai acabar também por se tornar o responsável por rebaixar nossa nota de qualificação de investimentos no exterior.

Por que tomar cuidado na Bolsa de Valores?

Entrar na Bolsa de Valores é uma tarefa difícil no Brasil. Nosso conservadorismo financeiro também chega até a Bolsa de Valores. Não é como nos EUA, onde empresas entram com facilidade na Bolsa e tem até carteiras específicas para empresas de maior risco. Porém, aqui no Brasil ainda temos uma coisa mais perversa: a política.

A política responde em grande parte pela lucratividade ou não de uma empresa em nosso país. Quer queira pelos contatos que as empresas tem na política, lobby ou poder dentro da nossa economia (leia-se participação no PIB), uma empresa dentro da Bolsa de Valores com certeza precisa de influência política alta para ser lucrativa.

Assim sendo, temos que gerir também o risco político das empresas que estão na Bolsa. Afinal, cargos políticos não são permanentes, são instáveis. E poucos são os políticos que assumiram o preço político de uma empresa fracassada. Quando Eike “faliu”, a primeira coisa que o Governo brasileiro fez foi tirar sua responsabilidade da reta. Lógico, há muitos (ir)responsáveis por este problema, mas há sempre um fator mais crucial.

Dito isso, devemos considerar também o risco inerente da Bolsa de Valores. Em um ano, empresas de mineração podem ser altamente lucrativas. Mas no ano seguinte, pode ser que elas comecem a usar seus lucros para novos investimentos e não lucrar tanto. Uma empresa nova na Bolsa de Valores pode prometer mundos e fundos, mas o mercado nacional e/ou internacional pode não estar muito acolhedor para aquele produto/serviço.

Seja a empresa grande ou pequena o objetivo delas na Bolsa de Valores é arrecadar dinheiro nos IPO, ou seja, os lançamentos iniciais de ações no mercado. Elas irão exagerar SEMPRE nos valores. Algumas vezes, estarão certas. Outras, erradas. Por isso, gerir os riscos políticos, financeiros e todos os outros é extremamente importante, começando por não confiar nas empresas que prometem demais.

Cuidados com a Bolsa de Valores

Mesmo com estritas regras, a Bolsa de Valores ainda tem muito espaço para especulação e mentiras de grandes empresários. (Foto: money.msn.com)

Como fazer investimentos inteligentes na Bolsa de Valores e tomar cuidado com as empresas que prometem demais?

Antes de você investir em um produto/serviço/empresa de alto rendimento, faça uma pausa e estas perguntas básicas para ajudar a colocar os prós e contras do investimento em perspectiva antes de alocar seus recursos naquele investimento:

Este produto é garantido, e, em caso afirmativo, qual é a força financeira do produto?

Lucro/valorização garantida não é mais suficiente para investir na bolsa. Você tem que analisar o planejamento da empresa de curto, médio e longo prazo. Analisar os quadros financeiros, o cenário mundial para aquele mercado. Pode ser que no Brasil aquele empresa vem se dando bem, mas e internacionalmente? A exemplo, há anos a Petrobras tem de comprar petróleo mais caro e vender mais barata a gasolina no Brasil. Você tem ideia de quando isso vai mudar? Analisar esse e outros fatores te ajudarão a consistentemente evoluir suas habilidades de gestão de risco e assim, encontrar realmente os riscos de investir em um produto, seja ele novo ou já estabelecido no mercado.

Qual o cenário atual da Bolsa de Valores para investimentos?

Qualquer investimento na Bolsa de Valores é um investimento de risco. Dito isso, analise os últimos meses da Bolsa. Usando o exemplo de 2013, já faz um bom tempo que a Bolsa de Valores no Brasil não tem uma alta considerável. Ainda com as eleições no ano que vem, é de se assumir que haverá uma instabilidade financeira e política principalmente com os protestos que aconteceram este ano e a insatisfação com os políticos.

Isso irá impactar todas as empresas da Bolsa de Valores. Algumas irão se safar. Outras, sofrerão muito com a instabilidade. É sua obrigação compreender o quão “blindadas” estão as empresas que você investe.

Estou investindo em papéis/ideias ou em algo que realmente existe?

Para não nos prolongarmos muito e focarmos no elemento mais importante, esta é a última dica. Quando o Eike entrou na Bolsa de Valores, prometeu mundos e fundos. Com uma análise básica de riscos, principalmente quanto ao pré-sal, um investidor informado descobrira que a tecnologia para extrair petróleo do pré-sal ainda é muito cara e pouco lucrativa. Pensando nisso, ele poderia até investir nas empresas do Eike, mas pensaria duas vezes antes de manter o investimento no longo prazo.

Lembre-se sempre: empresários irão prometer mundos e fundos para seus investidores. Poucos deles irão realmente entregar o que prometem. Um bom investidor sempre irá descobrir quais são as empresas confiáveis e quais estão ali apenas para enganar seus investidores.

Considerações Finais

Enquanto essas questões representam apenas algumas das perguntas que os investidores vão querer discutir antes de escolher um produto/serviço/investimento novo ou de alto rendimento do investimento, a mensagem principal permanece: nunca confie em investimentos de alto retorno “fácil”. Não estique fora de sua zona de conforto, sem compreender todas as compensações e riscos. E, se ele é bom demais para ser verdade, vá com seu instinto que provavelmente é bom demais para ser verdade!

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