Diferença entre despesas, custos e investimentos!

Em Educação financeira por André M. Coelho

O que é um custo e o que é uma despesa? O que é um investimento? Quando uma despesa é um investimento? Calma. Considere um exemplo.

Suponha que a empresa Fulana de Tal, faz geladeiras e precisa comprar algumas novas máquinas de fabricação de metal para formar a camada exterior da geladeira.

Quando a empresa compra as máquinas, o preço que a empresa paga ou se compromete a pagar é um custo. A partir do momento que a Fulana de tal usa as máquinas, ela transforma o custo de comprar as máquinas em uma despesa para fazer o negócio funcionar. Se a decisão pela compra da máquina resulta em menor tempo para fazer o processo, menor desperdício, mais qualidade no produto final ou menor custo para fazer a casca da geladeira, a máquina é também um investimento.

Funciona mais ou menos da mesma forma na sua vida pessoal: você tem custos para comprar coisas, essas coisas se tornam despesas quando passam a integrar seu dia a dia e se trouxeram uma melhora no tempo, eficiência ou menores custos para seu dia a dia, é também um investimento.

Vamos quebrar um a um para que você entenda claramente nosso exemplo.

Custos e Despesas

Os custos e despesas dependem de como você está gastando seu dinheiro. Se você está adquirindo bens, instalações ou equipamentos ou estiver substituindo ou recondicionando equipamentos existentes, então você incorporar os custos no preço que se tornará o custo de aquisição daquele bem.

Despesas são normalmente custos irrecuperáveis, o que significa que elas não são reembolsáveis. Por exemplo, você não pode se beneficiar de dinheiro gasto em seguros, serviços públicos, material de escritório, juros, alguns custos de aquisição, etc. Então, quando fazendo despesas, você tem que analisar com cuidado para entender as oportunidades onde elas são investimentos.

Despesas e investimentos

Despesa é uma necessidade, investimento é uma escolha.

Se eu optar por pagar por algo que vai me permitir expandir horizontes, mudar a minha mentalidade, me ajudar a crescer como pessoa, ajudar minha empresa, ou realizar alguma coisa no meu negócio/na minha vida pessoal que eu não posso fazer eu mesmo, então é um investimento. Essas coisas incluem oficinas, treinamento e educação, taxas do seu contador, etc. Estas são coisas que você escolhe para gastar dinheiro, porque sabe que eles vão te ajudar pessoalmente e/ou profissionalmente. São investimentos que você faz em você/seu negócio e você vai colher os frutos dos investimentos realizados.

Se você pode reformular seus pensamentos em torno de gastos e reconhecer como você pensa sobre o custo para coisas como estas, você vai se tornar mais disposto a participar com seu dinheiro quando você sabe que você está fazendo isso em troca dos benefícios que você tem certeza que irão te ajudar a ter lucros futuros em diversas áreas de sua vida.

Decisões financeiras com o dinheiro

Despesas, custos e investimentos estão relacionados ao seu dinheiro. Entender cada um deles vai te ajudar a saber quando seu dinheiro vai afundar ou vai flutuar rumo a uma vida melhor no horizonte. (Foto: divulgação)

Entendendo o contexto

Pessoas e empresas são confrontados com os desafios financeiros de um negócio. Ao destinar recursos financeiros para um ou outro fim, começa a ficar difícil entender quando uma dívida assumida é um custo, uma despesa ou um investimento. Assim, para ajudar a entender as diferenças, você precisa entender que nem toda dívida é ruim.

Por exemplo, quando uma empresa ou alguém pega dinheiro emprestado para cobrir investimentos faz sentido, se o retorno potencial é grande o suficiente para justificar o risco e o custo do capital. Exemplos são empréstimos para a compra de um imóvel para sair do aluguel, comprar um aquecimento solar para sua casa, investir em um maquinário mais eficiente na sua empresa, etc. Por outro lado, tomar emprestado para cobrir as despesas é simplesmente caro e ineficiente. Entendendo a motivação para assumir a dívida e o papel dela no dia a dia da empresa ou no seu dia a dia pessoal é o primeiro passo para diferenciar custos, despesas e investimentos.

Deixe-me dar um exemplo de vida pessoal. Vamos dizer que você usa a dívida (ou seja, o seu cartão de crédito) para comprar um novo guarda-roupa. Esta é uma DESPESA. O guarda-roupa diminui em valor ao longo do tempo e se você pedir dinheiro emprestado para comprá-lo, ele vai acabar custando-lhe mais do que o preço de compra. No entanto, se você usar a dívida para pagar um INVESTIMENTO na sua casa, na sua educação, etc., você está pedindo o dinheiro porque você espera ter um retorno sobre seu investimento maior do que o CUSTO da dívida, mesmo com os juros. O fator chave é ter uma expectativa razoável de ganhar um retorno sobre o capital que saiu do seu bolso.

O mesmo princípio vale para os gastos das empresas. Se você pedir dinheiro emprestado para INVESTIR em algo que ajuda diretamente seu negócio a crescer e ele cresce a uma taxa mais elevada do que o valor do dinheiro emprestado (durante um determinado período de tempo), é um bom investimento. Se você está pedindo o dinheiro para pagar as DESPESAS do seu negócio que não produzem um retorno (como CUSTOS de aluguel), então ele só lhe CUSTA mais dinheiro.

O valor do dinheiro no tempo

No entanto, há uma área cinza para estabelecer uma relação clara entre quando o gasto do dinheiro é uma despesa ou investimento. Por exemplo, empréstimos para financiar os custos de inventário podem produzir um retorno se for vendido dentro de um tempo hábil. Mas, eventualmente, o CUSTO da dívida aumenta o seu CUSTO com o inventário, e enquanto o tempo passa, seu retorno é menor. Se você se apegar ao inventário por muito tempo, então você pode realmente perder dinheiro. Em alguns casos, pode até ser melhor vender seu estoque com um desconto rapidamente do que segurá-lo por anos com a esperança de recuperar seu investimento real.

Vejamos um exemplo de como uma dívida afeta o CUSTO de seu inventário: você compra R$ 600 de um produto para vender por um preço que você espera receber R$1.000. Mas você acha que o inventário, seu estoque, não está rodando rápido o suficiente. O que você faz?

Vamos dizer que você pediu que R$600 emprestados com uma taxa de juros anual de 10%. Se você não vender esse estoque em um ano, seu CUSTO, com os juros do empréstimo, serão de R$660. Se os juros são compostos, no final do segundo ano você terá custos de R$726 e quase R$800 após o terceiro ano. Assim, quando você quer o melhor retorno que você pode, é melhor vender seu produto por R$700 após um ano (ainda fazendo um pequeno lucro) do que por R$725 (quase se pagando) depois de dois anos, ou R$750 após três anos (perdendo dinheiro). O CUSTO do capital e o efeito sobre o seu retorno precisa ser colocados em seu pensamento sobre o investimento e as despesas.

O custo de oportunidade de um investimento

Se você alocar capital para um investimento, você está fazendo uma escolha. Se o seu dinheiro é amarrado em um determinado investimento, você não pode fazer outro investimento com ele. Este é o chamado “custo de oportunidade”. Vamos usar o exemplo acima novamente e dizer que você pegou um empréstimo de R$ 600 a uma taxa de juros anual de 10% e que você leva dois anos para pagar. Você vende o inventário/estoque por R$800 no final do ano dois. Como R$600 te custam R$726 com os juros, e você vendeu por R$800, você teve um lucro de R$74 de seu investimento de R$600.

Mas qual seria a diferença se você investisse em estoque que você poderia vender por R$650 depois de 3 meses, e foi capaz de repetir a mesma venda a cada três meses? Três meses de juros em 10% custam R$15, te dando um lucro de R$35 a cada 3 meses. Isso significa que, no final do primeiro ano (mesmo se os lucros não forem compostos), você teria R$140 em lucros a partir deste investimento, R$280 em dois anos, em vez de um empréstimo de R$800, mas que levou dois anos para vender e só te rendeu R$74. Isso é um grande custo de oportunidade. Você precisa colocar o seu capital para trabalhar nos investimentos que têm o maior agregado pagante, tendo em conta o valor do seu investimento ao longo do tempo.

https://youtu.be/zIiwDuo6ixI

Então, o que podemos aprender com isso?

Todos nós temos despesas em nossos negócios e vidas pessoais. Precisamos nos concentrar o máximo possível sobre as despesas onde há um investimento e um lucro a ser feito. Esse lucro, na sua vida pessoal, pode ser em qualidade de vida (uma cadeira de escritório que não te dá dor nas costas), menor tempo para executar certas tarefas (uma serra elétrica para substituir seu machado), mais eficiência para fazer certas coisas (uma faca elétrica para cortar ossos de pernis) e por aí vai. Nas empresa, funciona o mesmo princípio. O valor temporal do dinheiro é também importante. Se você está esperando ter um retorno, existem CUSTOS adicionais a serem considerados ao longo do tempo e há sempre um CUSTO de oportunidade para um investimento. Se você gastar seu dinheiro em um investimento, você pode ter que abrir mão de um outro com um maior retorno.

O custo é existente tanto para as despesas quanto para os investimentos. Agora, se ele vai ser uma despesa ou um investimento dependerá diretamente da sua análise e avaliação do cenário para sua vida pessoal ou profissional. Despesas você corta, investimentos você planeja, custos você negocia.

Você ainda ficou alguma dúvida? Deixe nos comentários suas perguntas!

Sobre o autor

Autor André M. Coelho

Crédito ou débito? Esta é uma pergunta quase sempre feita ao se pagar com cartão mas é uma questão também comum na vida de muitos brasileiros. Com mais de 300 horas em cursos de finanças, empreendedorismo, entre outros, André formou-se em pedagogia e se especializou em educação financeira. Dá também consultorias financeiras e empresariais quando seus clientes precisam de ajuda e compartilha conhecimentos aqui neste site.

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